Vacilação grande!
Borges vacila frente ao veterano Fernando (foto - divulgaçao/Vipcomm)
Vacilar: v.i. Oscilar por falta de firmeza; Perder o vigor, a força; enfraquecer, afrouxar.
No jogo de ontem o SPFC fez o que não podia numa hora como essa, vacilou. E não vacilou por falta de atenção, nem por uma cagada qualquer que pode acontecer no futebol. Vacilou por que achou que ganharia a qualquer minuto. Vacilou em sua própria confiança. Vacilou em não ter gana de ganhar a todo custo. Se for assim todo jogo (sei e confio que não será) não seremos tetra-hepta esse ano.
O domingo começou com grande expectativa por parte dos tricolores, afinal o Inter, time que vem sendo encarado com um dos três candidatos ao título, perdeu do Vitória (grande Vitória) na Bahia, e deixou o caminho livre para o Tricolor assumir a liderança, ainda que provisória. O roteiro estava escrito, São Paulo ganha do Sto. André, fica dois pontos na frente do Parmera, e joga a pressão nas costas do time dos italianos que quarta-feira encara os italianinhos de Minas. Mas como diz meu avô, do alto de seus 84 anos (e pelo menos 65 de são-paulinismo): ‘Não se pode contar com o ovo no c* da galinha’. Faltou combinar o roteiro com o time do Marcelinho, nossa asa-negra esse ano.
Acordei de ressaca, uma hora da tarde, já ansioso pela hora do jogo. Desci para o almoço em família (o único da semana). Macarrões e frangos depois ainda eram duas e meia. Hora de se acomodar na poltrona e esperar o começo da peleja. Sintonizo na Band e me entretenho, junto com meu irmão, padrasto e tio, com o Band Esporte Clube, que no meio tem o ‘Gol: o grande momento do futebol’ e Milton Neves, o merchan-man. A cada 2 gols antigos, 2 merchans. Irritante! Saudades do Alexandre Santos e seu inconfundível ‘...apontooou, guardooou...’. Mas mesmo assim deixo ali, não há nada melhor na TV e falta pouco para a liderança.
Começa a transmissão do jogo e Luciano do Valle (gagá) e Neto começam com as besteiras. Não via a hora de a Globo começar a transmissão. Quando o Luciano do Valle começou a elogiar o Ricardo Teixeira, dizendo que ‘...ele faz muito pelo esporte brasileiro’, ‘...que pra grande orgulho do povo brasileiro ele seria eleito presidente da FIFA’ e mais um monte de babação de ovo, mudei pra Globo e preferi ver o finalzinho do Faustão (que tá magrinho, né?).
Enfim começa a partida. Da escalação já não gosto muito, Arouca ainda não me convenceu, Marlos era melhor pra esse jogo. O Santo André não ofereceria muito perigo no meio-campo, e um jogador a mais de criatividade daria uma pressão maior sobre a zaga deles, mas quem escala é o glorioso Ricardo Gomes (que vem fazendo bom trabalho). Depois de 5 minutos de pressão do time do ABC (com um suposto pênalti para eles) o São Paulo consegue equilibrar as ações, principalmente pelo lado esquerdo, e foi por ali que saiu o gol. Jr. César escapa pela esquerda, olha pro meio da área e cruza no pé de Jean, que chuta de primeira pra fazer 1x0 e nos deixar na liderança. E foi só. Daí pra frente o SPFC parou de jogar, e começou com aquele jogo meia-bomba. Sem meio campo, dependendo de lampejos do Dagoberto (que até fez uma boa jogada no finalzinho do primeiro tempo), e foi empurrando com a barriga até o final da primeira etapa. Que jogo chato!
Volta pro segundo tempo e o repórter da Globo vai falar com Miranda, e sua resposta não me deixa muito animado: ‘Vamos tentar ir pra cima, mas se não der o 1x0 tá bom...’. Como assim, meu craque? Um a zero tá bom? Tá bom pras tuas nêgas! O SPFC devia ter entrado com tudo, pressionando desde o começo, mas não, chamou o Sto. André pro seu campo e deixou com que o time do ABC acreditasse que pudesse conseguir algo mais. O jogo continua chato.
Ricardo Gomes tenta mudar algo. Tira Borges (mal, mal, mal) e Jr. César e põe Washington e Marlos. Marcelinho sai machucado e entra o tal do Pablo Escobar. Paraguaio naturalizado boliviano. Meu irmão ri do latino. Marlos deixa Washington em boa condição de fazer o gol, mas sua estabanação não deixa com que o grandalhão domine direito a bola, ele tropeça e é mais uma chance perdida. No próximo lance, bola cruzada na área, Nunes desvia, Rogério sai pro abafa e Pablo Escobar, aquele que há pouco havia gerado risada, empurra pra dentro, em vacilo (olha ele de novo) grande da zaga. 1x1. Era tudo que o SPFC não precisava. Nem eu na minha poltrona.
Daí pra frente resolveram correr. Faltando 10 minutos para findar a partida. Aí todo mundo quer resolver o jogo, Washington quer driblar três no meio-campo, Dagoberto corre, Miranda vai ao ataque, bolas são cruzadas ao léu. Mas não adianta. Não dá mais tempo. O Sto. André se segura, o SPFC não consegue varar o Neneca de novo e o jogo acaba empatado. Todo ano é a mesma coisa, perdemos pontos contra Náuticos, Fortalezas, Curintias e Fluminenses. Sorte não ter feito falta nos outros anos. Nesse já não sei.
Pra quem esperava dormir na liderança o segundo lugar na tabela, junto do Parmera mas atrás pelos saldo de gols, não consola. O sentimento é um só: frustração.
Mas agora é trabalhar, e muito, pra domingo ganhar do Curintia (que tomou uma guasca do Goiás) e não deixar com que o Parmera se distancie ainda mais. O lance é estar no bolo dos primeiros até o final e, na hora certa, sem vacilação, assumir o primeiro posto.
Mas ia ser tão legal dormir líder. Ah, ia...
TINHA QUE TER GANHO ESSE JOGO, CAZZO!
Sem mais por hoje.
Saudações tricolores!
PS. demorei pra postar pois, pra ajudar, a internet no trampo nao funcionou, e em casa meu computador caiu no chao. Que fase...